segunda-feira, 12 de março de 2012

Ternura...

Ternura, a essência do amor.
A ternura torna a vida mais leve e descomplicada, ela nos ensina a saber esperar.
A vida da gente seria tão mais descomplicada se nela houvesse um pouco mais de ternura. Sim, ternura para se perceber e perceber os outros com a singeleza que é própria de uma folha embalada pelo vento. Ternura para compreender as tristezas sob um ar de aprendizado e acréscimo.
O terno não se permite amargar por decepções. Ele desenvolve a faculdade de enxergar mais longe, indo além da simples experiência para perceber o positivo que se esconde em cada realidade.
A ternura nos ensina a saber esperar, a ter paciência diante de nossa fraqueza e da alheia, aguardando o derradeiro momento no qual a virtude vai verdadeiramente florescer. Muitos relacionamentos acabam por ausência de ternura, em virtude de um fatal descuido nos detalhes. O que os [relacionamentos] encerra não é tanto a ausência do amor, mas do cuidado (ternura).
Existem várias formas de amar, mas, apenas a via da ternura assegura sua (amor) correta percepção. Amor sem ternura é verão sem sol, arte sem beleza, vida sem movimento. O amor precisa de ternura para se encarnar e para se fazer sentir. Muitos pais amam, mas não são compreendidos assim. Por quê? Será ausência de ternura?
É preciso investir na ternura, ela torna a vida mais leve e o amor verdadeiramente perceptível. Ternura no olhar, falar, abraçar; o coração não se desenvolve sem ternura, pois, ela nos transporta à nossa real essência: afinal, viemos à existência por um ato de extrema Ternura. Não tenhamos medo de ser ternos. Isso não nos diminuirá, ao contrário, nos enobrecerá e tornará nossa vida mais feliz e sinceramente acompanhada (quem é terno atrai ternura).
Ternura, simplesmente ternura! Isso, de fato, descomplicará e qualificará cada fragmento de nosso todo. Sem receio e sem protocolos, ousemos e, no concreto de nossa vida.

Pe. Adriano Zandoná
(Missionário Canção Nova)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quando vivemos o perdão

Neste tempo quaresmal vivemos um tempo especial, tempo de conversão, penitencia, reconciliação, perdão....mas, será que realmente sabemos perdoar?
   Podemos meditar sobre o perdão em várias passagens bíblicas, mas, vamos refletir sobre duas, a primeira passagem é a do filho pródigo, diria, a do pai amoroso.
   Aquele filho que tinha tudo, família, dinheiro, conforto, mas, resolveu exigir a sua herança e sair de casa abandonando seu lar, e viver a vida mundo afora, vivendo tudo que o mundo profano lhe proporcionava de prazeres. Gastou toda a herança, ficou pobre, sem nada, passou a se alimentar da comida dos porcos.
  Quando percebeu que não lhe restava mais nada, do erro que cometeu, só havia uma única saída, voltar à casa do pai. Mas como voltar depois de tudo que havia feito?   Pensou, vou voltar como um de seus empregados, pois não era digno de ser mais um de seus filhos, e foi o que fez. Quando na sua chegada, seu pai de longe o avistara, foi correndo ao seu encontro.
  Para aquele pai, a alegria foi imensa, seu filho amado voltou, mandou fazer um banquete, preparar-lhe a melhor roupa, foi um dia de festa, não lhe perguntou nem por onde andou, nem pelo dinheiro que gastou, apenas o abraçou.
   Refletimos também a passagem da cruz, quando Jesus, entre dois ladrões, enquanto um caçoava, o outro, reconhecendo-se pecador disse – nós merecemos isso, mas Ele não fez nada, voltando-se para Jesus, falou – Senhor, lembra-te de mim quando estiveres no teu Reino? No mesmo instante Jesus respondeu – Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso. Naquele momento, o coração de Jesus se alegrou, não impôs condições, nem falou dos crimes que aquele ladrão havia cometido, apenas o acolheu.
  Perdoar, muito mais do que um gesto sagrado, é vive-lo na sua intensidade, não perdoar pela metade, mas, resgatar o amor, a amizade que havia perdido. Muitas vezes pedimos perdão, ou, perdoamos, mas, carregamos dentro de nós todo um rastro de mágoas, ressentimentos, será que realmente perdoamos?
   É evidente que em muitos casos, há marcas profundas em nosso coração, mas, quando perdoamos ou pedimos perdão, não devemos deixar que essas marcas fiquem guardadas dentro de nós, por mais difícil que seja, o próprio perdão já é uma grande arma para lutarmos contra isso. O perdão é um exercício diário em nossa vida.
   Muitas vezes magoamos pessoas queridas, pais, filhos, amigos, e criamos uma enorme barreira, e por mais que possamos evitar, transforma a nossa vida, a harmonia, a paz que havia já não se faz tão presente. Até acreditamos que o esquecimento pode curar tudo isso, mas é um engano, se não houver o perdão de fato, é um espinho que levaremos para sempre conosco.
   Quando perdoamos, podemos dizer que tudo que era velho, passou, sem barreiras, sem ressentimentos.
   Perdoar é resgatar o que de melhor Deus nos deu de presente, o amor, a amizade da família, dos amigos, de pessoas que Ele colocou ao nosso lado.

José Benedito

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Sacramento "Unção dos Enfermos"

Com esse vídeo encerra-se a série "Sacramentos"

Sacramento da Unção dos Enfermos - Pe. Sergio Jeremias
Paróquia Vargem do Cedro-SC


Quaresma: tempo de reconciliação

 Cada pequeno pedido de perdão sincero ao irmão, que ofendemos no nosso cotidiano, vem também acompanhado da graça perdoante de Deus. Deus está sempre a oferecer-nos inúmeras possibilidades de conversão e de graça. A quaresma se tonra a ocasião propícia e privilegiada.
O tempo da quaresma fala de conversão, de reconciliação com Deus, com a Igreja, com todos os irmãos. A Igreja oferece-nos várias possibilidades para que realizemos tal reconciliação e conversão.

"Quaresma" soa quarenta. Quarenta o quê? Quarenta anos do peregrinar de Israel pelo deserto até a terra prometida. Quarenta dias de jejum de Jesus no Monte das Tentações. Quarenta dias que separam o início da quaresma e a Páscoa. Em todo caso, quarenta refere-se a número. Número traduz a maneira humana de medir: tempo e espaço. A conversão humana necessita de tempo e espaço. A Igreja sabe bem disso. Oferece-nos este tempo - quarenta dias - e este espaço - a liturgia com orações, leituras e celebrações - para introduzir-nos na pedagogia da conversão.
A mais importante, fundamental, imprescindível acontece dentro do coração. Sem conversão do coração, qualquer sinal e rito externo fica vazio. A palavra de Deus, lida ou meditada, ouvida ou rezada, torna-se para nós, em muitas ocasiões, momento propício para tal conversão.


A conversão do coração significa mudança de orientação de vida. Ora exige-se mudança radical, quando a pessoa se encontrava visceralmente desviada do amor a Deus e ao irmão, e centrada fundamentalmente em si mesma. Ruptura dolorosa com um egoísmo profundo e centralizante. O termo "conversão" faz valer toda a força da etimologia. Muda-se de direção. A cordenada da existência apontava para o centro de si. Pela conversão, ela se direciona para o irmão, e, na pessoa do irmão, alcança o próprio Deus.
Ora trata-se de correção de rota. Nossa viagem caminha fundamentalmente para o irmão e para Deus. No entanto, as distrações do percurso nos desviam um pouco da rota. Se deixarmos, sem mais, ir seduzindo-nos por elas, pouco a pouco estaremos tomando a direção oposta e nunca chegaremos à meta almejada. Cumpre corrigir a trajetória e continuar a mesma viagem. São as pequenas e necessárias conversões, acontecidas no cotidiano de nossas falhas e desvios.

Na Bíblia:

Em termos bíblicos, traduzia-se a conversão no abandono dos ídolos em direção ao Deus verdadeiro. Os ídolos personalizam as clássicas formas de egoísmo: busca exclusiva dos próprios bens materiais, prazer e poder com exclusão do irmão, sobretudo do mais necessitado. O Deus verdadeiro se experimenta no encontro com os bens, prazer e poder em vista do irmão. As realidades humanas continuam as mesmas. Lá dentro, no centro de nosso ser, processa-se a mudança de orientação e tudo se move em outra direção.
No entanto, esta conversão interior do coração não cobre todas as possibilidades que temos de vivenciá-la. Como seres sensíveis vivemos em comunidade com os outros. Sentimos a necessidade de manifestar visivelmente as atitudes profundas do coração e assim reforçá-las. Além disso, Deus, ao conhecer a natureza humana, quis que sua salvação se manifestasse na humanidade de seu Filho. Toda a graça de Deus tem profundo movimento interno para tornar-se visível. Assim a graça do perdão tende a manifestar-se.
A maneira visível mais conhecida e praticada da conversão manifesta-se pela confissão individual. Diante do sacerdote, representante de Deus e da comunidade, manifestamos-lhe os pecados em espírito de contrição e arrependimento. E ele confere-nos o perdão de Deus no exercício do ministério que recebeu para isso.
A Igreja, desde o quinto século, tem praticado a forma da confissão individual, auricular. Ela nasceu da experiência pedagógica de seus benefícios depois de um momento em que toda confissão era pública, mais rara, mas muito pesada e exigente.
Depois do Concílio, nossas comunidades têm vivenciado outro tipo de expressão do mesmo sacramento, com muito fruto espiritual, a saber, a confissão comunitária. Tem todos os elementos fundamentais do sacramento: arrependimento e contrição de nossos pecados, manifestação de nossa situação de pecadores comparecendo à celebração e o ato do sacerdote que absolve os pecados. Substitui-se a confissão individual e sua ajuda especial pela orientação dada a todos na celebração.
Sem ter o mesmo sentido de sacramento da reconciliação, em cada celebração da Eucaristia, há um momento de perdão. A Eucaristia também nos atualiza o perdão já que se apresenta a Deus Pai o sacrifício de Jesus pela remissão de nossos pecados. Falta-lhe a ajuda e intervenção específica da Igreja, própria do sacramento da penitência. Por isso, os cristãos, mesmo que recebam verdadeiramente em cada celebração da Eucaristia o perdão dos pecados, procuram a confissão individual ou a celebração comunitária em busca de uma ajuda apropriada e específica, selada por uma graça e presença especial de Deus.
Cada pequeno pedido de perdão sincero ao irmão, que ofendemos no nosso cotidiano, vem também acompanhado da graça perdoante de Deus. Deus está sempre a oferecer-nos inúmeras possibilidades de conversão e de graça. A quaresma se tonra a ocasião propícia e privilegiada.

PE. João Batista Libanio
Fonte:http://www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=215


Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2012: 
http://andarcomfeuvounassuaspegadas.blogspot.com/p/papa-bento-xvi.html