quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Como nasceu a oração "Consagração à Nossa Senhora Aparecida"

Nas águas do rio que formam o vale, Maria se fez singela em uma pequena Imagem de terracota. Dos três pescadores que a encontraram, nasce o início da devoção que atravessa quase três séculos. Hoje, são inúmeros os filhos que oram aos pés de Aparecida, no Santuário Nacional, pedindo a intercessão junto ao Cristo.

A forma mais comum dessa demonstração de fé é a “Consagração a Nossa Senhora Aparecida”. Sempre que rezam, a partir dessa oração mariana, os devotos são tomados de grande comoção. As palavras da “Consagração”, quando pronunciadas, além de honrarem e reconhecerem Nossa Senhora como protetora nossa, são dirigidas ao coração de Jesus.

Quem primeiro decidiu realizar um momento de consagração a Nossa Senhora Aparecida foi o missionário redentorista padre Laurindo Rauber, diretor da Rádio Aparecida, em 1954. Entretanto, foi na voz do grande missionário redentorista Padre Vítor Coelho de Almeida que a “Consagração” tornou-se o programa da Rádio Aparecida mais ouvido. Por mais de 30 anos, o saudoso missionário do povo fez-se ouvir pelas ondas da rádio e, com seu timbre singular, proferiu, diariamente, a oração da “Consagração”. Até hoje no ar, o programa, exibido sempre às 15 horas, é o mais antigo e tradicional da Rádio.

Em 2013, a pedido do Papa Francisco, grande devoto de Nossa Senhora, foram incluídas três frases, na tradicional oração, para reforçar o eixo cristocêntrico de toda a devoção mariana. São elas: “Pelos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo”; “Vós que o Cristo Crucificado deu-nos por mãe” e “Celestial cooperadora”.

Fonte: do livro "Consagração à Nossa Senhora Aparecida" Ed. Santuário.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

São Nicolau de Flue

Bruder Klaus nasceu no dia 21 de março de 1417, na Suíça. Oriundo de família pobre, ainda jovem queria ser monge ou eremita. Nesta época não pôde realizar o sonho porque tinha que ajudar os pais nos trabalhos do campo. Mais tarde também não o conseguiu, pois se casou. Felizmente a escolhida era uma moça muito virtuosa e religiosa, chamada Dorotéia, com a qual teve dez filhos. Vários deles se tornaram sacerdotes, e um dos netos, Conrado Scheuber, morreu com o conceito de santidade.


Ainda neste período Klaus não pôde se dedicar totalmente às orações e meditações como queria. Os escritos da época narram que, devido ao seu reconhecido senso de justiça, retidão de consciência e integridade moral, foi convocado a assumir vários cargos públicos, como, juiz, conselheiro e deputado.

Finalmente, aos cinqüenta anos de idade conseguiu a concordância da família e abandonou tudo. Adotou o nome de Nicolau e foi viver numa cabana que ele mesmo construiu, não muito longe de sua casa, mas num local ermo e totalmente abandonado. Tinha por travesseiro uma pedra e como cama uma tábua dura. Naquele local viveu por dezenove anos e há um fato desse período que impressionou no passado e impressiona até hoje. Há provas oficiais de que ele, durante todos esses anos, alimentou-se exclusivamente da Sagrada Comunhão. Entretanto, não conseguia se manter na solidão. Amável e receptivo, não fugia de quem o procurasse. E a pátria precisou dele várias vezes.

Pacificador e inimigo das batalhas, conhecido por seus atos e pela condição de eremita, foi chamado a mediar situações explosivas como a ameaça de guerra contra os austríacos e a eclosão iminente de uma guerra civil. Mas, quando não houve jeito de alcançar a paz no diálogo, ele também não fugiu de assumir seu lugar nos campos de batalha, como soldado e mesmo oficial. Entretanto, seu trabalho na reconciliação entre as partes envolvidas nestas questões de guerra repercutiu muito na população. Nicolau passou a ser venerado pelo povo, que logo o chamou de "Pai da Pátria".

Porém, à qualquer chance que tinha voltava para sua cabana, até ser solicitado novamente. Foi conselheiro espiritual e moral de muita gente, tanto pessoas simples como ocupantes de cargos elevados. Era muito respeitado por católicos e protestantes. Há quase um consenso em seu país de que a Suíça é hoje um país neutro e pacífico, que dificilmente se envolve em guerras ou conflitos internacionais, graças à influência do "Irmão Klaus", como era, e ainda é, carinhosamente chamado por todos os suíços.

Ele morreu no dia 21 de março de 1487, exatos setenta anos do seu nascimento. O corpo de Nicolau está sepultado na Igreja de Sachslen. Beatificado em 1669, foi canonizado pelo Papa Pio XII em 1947. A memória de São Nicolau de Flue é venerada pela Igreja, no dia 21 de março e como herói da pátria, no dia 25 de setembro. Ele é o Santo mais popular da Suíça.

Seu dia de veneração é dia 21 de março. É o santo padroeiro da Suiça.



"Meu Senhor e meu Deus,
arrancai de mim mesmo
tudo o que me impede de ir a Vós.

Meu Senhor e meu Deus,
dai-me tudo aquilo
que me conduz a Vós.

Meu Senhor e meu Deus,
tirai-me de mim mesmo
eentregai-me todo a Vós"
(São Nicolau de Flue)

terça-feira, 9 de junho de 2015

Poema à Virgem Maria (Pe.Jose de Anchieta)

Poema à Virgem Maria
Escrito pelo Pe. Jose de Anchieta(São José de Anchieta)
nas areias da Praia de Iperoig em Ubatuba-SP


Minha alma, por que tu te abandonas ao profundo sono?
Por que no pesado sono, tão fundo ressonas?
Não te move à aflição dessa Mãe toda em pranto,
Que a morte tão cruel do FILHO chora tanto?

E cujas entranhas sofre e se consome de dor,
Ao ver, ali presente, as chagas que ELE padece?
Em qualquer parte que olha, vê JESUS,
Apresentando aos teus olhos cheios de sangue.

Olha como está prostrado diante da Face do PAI,
Todo o suor de sangue do seu corpo se esvai.
Olha a multidão se comporta como ELE se ladrão fosse,
Pisam-NO e amarram as mãos presas ao pescoço.

Olha, diante de Anás, como um cruel soldado
O esbofeteia forte, com punho bem cerrado.
Vê como diante Caifás, em humildes meneios,
Aguenta mil opróbrios, socos e escarros feios.

Não afasta o rosto ao que bate, e do perverso
Que arranca Tua barba com golpes violento.
Olha com que chicote o carrasco sombrio
Dilacera do SENHOR a meiga carne a frio.

Olha como lhe rasgou a sagrada cabeça os espinhos,
E o sangue corre pela Face pura e bela.
Pois não vês que seu corpo, grosseiramente ferido
Mal susterá ao ombro o desumano peso?

Vê como os carrascos pregaram no lenho
As inocentes mãos atravessadas por cravos.
Olha como na Cruz o algoz cruel prega
Os inocentes pés o cravo atravessa.

Eis o SENHOR, grosseiramente dilacerado pendurado no tronco,
Pagando com Teu Divino Sangue o antigo crime! (Pecado Original cometido pelos primeiros pais e os subsequentes pecados da humanidade)
Vê: quão grande e funesta ferida transpassa o peito, aberto
Donde corre mistura de sangue e água.

Se o não sabes, a Mãe dolorosa reclama
Para si, as chagas que vê suportar o FILHO que ama.
Pois quanto sofreu aquele corpo inocente em reparação,
Tanto suporta o Coração compassivo da Mãe, em expiação.

Ergue-te, pois e, embora irritado com os injustos judeus
Procura o Coração da MÃE DE DEUS.
Um e outro deixaram sinais bem marcados
Do caminho claro e certo feito para todos nós.

ELE aos rastros tingiu com seu sangue tais sendas,
Ela o solo regou com lágrimas tremendas.
A boa Mãe procura, talvez chorando se consolar,
Se as vezes triste e piedosa as lágrimas se entregar.

Mas se tanta dor não admite consolação
É porque a cruel morte levou a vida de sua vida,
Ao menos chorarás lastimando a injúria,
Injúria, que causou a morte violenta.

Mas onde te levou Mãe, o tormento dessa dor?
Que região te guardou a prantear tal morte?
Acaso as montanhas ouvirão Teus lamentos?
Onde está a terra podre dos ossos humanos?

Acaso está nas trevas a árvore da Cruz,
Onde o Teu JESUS foi pregado por Amor?

Esta tristeza é a primeira punição da Mãe,
No lugar da alegria, segura uma dor cruel,
Enquanto a turba gozava de insensata ousadia,
Impedindo Aquele que foi destruído na Cruz.

Mãe, mas este precioso fruto de Teu ventre
Deu vida eterna a todos os fieis que O amam,
E prefere a magia do nascer à força da morte,
Ressurgindo, deixou a ti como penhor e herança.

Mas finda Tua vida, Teu Coração perseverou no amor,
Foi para o Teu repouso com um amor muito forte!
O inimigo Te arrastou a esta cruz amarga,
Que pesou incomodo em Teu doce seio.

Morreu JESUS traspassado com terríveis chagas
ELE, formoso espírito, glória e luz do mundo;
Quanta chaga sofreu e tantas LHE causaram dores;
Efetivamente, uma vida em vós era duas! (Natureza Humana e Natureza Divina do SENHOR)

Todavia conserva o Amor em Teu Coração, e jamais
Evidentemente deixou de o hospedar no Coração,
Feito em pedaços pela morte cruel que suportou
Pois à lança rasgou o Teu Coração enrijecido.

O Teu Espírito piedoso e comovido quebrou na flagelação,
A coroa de espinhos ensanguentou o Teu Coração fiel.
Contra Ti conspirou os terríveis cravos sangrentos,
Tudo que é amargo e cruel o Teu FILHO suportou na Cruz.

Morto DEUS, então porque vives Tu a Tua vida?
Porque não foste arrastada em morte parecida?
E como é que, ao morrer, não levou o Teu espírito,
Se o Teu Coração sempre uniu os dois espíritos?

Admito, não pode tantas dores em Tua vida
Suportar, aguentando se não com um amor imenso;
Se não Te alentar a força do nascimento Divino
Deixará o Teu Coração sofrendo muito mais.

Vives ainda, Mãe, sofrendo muitos trabalhos,
Já te assalta no mar onda maior e cruel.
Mas cobre Tua Face Mãe, ocultando o piedoso olhar:
Eis que a lança em fúria ataca pelo espaço leve,
Rasga o sagrado peito ao teu FILHO já morto,
Tremendo a lança indiferente no Teu Coração.

Sem dúvida tão grande sofrimento foi à síntese,
Faltava acrescentá-lo a Tuas chagas!
Esta ferida cruel permaneceu com o suplício!
Tão penoso sofrimento este castigo guardava!

Com O querido FILHO pregado a Cruz Tu querias
Que também pregassem Teus pés e mãos virginais.
ELE tomou para SI a dura Cruz e os cravos,
E deu-Te a lança para guardar no Coração.

Agora podes, ó Mãe, descansar, que possui o desejado,
A dor mudou para o fundo do Teu Coração.
Este golpe deixou o Teu corpo frio e desligado,
Só Tu compassiva guarda a cruel chaga no peito.

Ó chaga sagrada feita pelo ferro da lança,
Que imensamente nos faz amar o Amor!
Ó rio, fonte que transborda do Paraíso,
Que intumesce com água fartamente a terra!

Ó caminho real com pedras preciosas, porta do Céu,
Torre de abrigo, lugar de refúgio da alma pura!
Ó rosa que exala o perfume da virtude Divina!
Jóia lapidada que no Céu o pobre um trono tem!

Doce ninho onde as puras pombas põem ovinhos,
E as castas rolas têm garantia de suster os filhotinhos!
Ó chaga, que és um adorno vermelho e esplendor,
Feres os piedosos peitos com divinal amor!

Ó doce chaga, que repara os corações feridos,
Abrindo larga estrada para o Coração de CRISTO.
Prova do novo amor que nos conduz a união! (Amai uns aos outros como EU vos amo)
Porto do mar que protege o barco de afundar!

Em TI todos se refugiam dos inimigos que ameaçam:
TU, SENHOR, és medicina presente a todo mal!
Quem se acabrunha em tristeza, em consolo se alegra:
A dor da tristeza coloca um fardo no coração!

Por Ti Mãe, o pecador está firme na esperança,
Caminhar para o Céu, lar da bem-aventurança!
Ó Morada de Paz! Canal de água sempre vivo,
Jorrando água para a vida eterna!

Esta ferida do peito, ó Mãe, é só Tua,
Somente Tu sofres com ela, só Tu a podes dar.
Dá-me acalentar neste peito aberto pela lança,
Para que possa viver no Coração do meu SENHOR!

Entrando no âmago amoroso da piedade Divina,
Este será meu repouso, a minha casa preferida.
No sangue jorrado redimi meus delitos,
E purifiquei com água a sujeira espiritual!

Embaixo deste teto (Céu) que é morada de todos,

Viver e morrer com prazer, este é o meu grande desejo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Agosto, mês vocacional

Na liturgia, agosto é o mês vocacional. Convém abordar três vocações específicas da vida da Igreja, em que celebramos as festas do Santo Cura d’Ars, de Santa Ana e São Joaquim, pais da Santa Virgem Maria, da Transfiguração do Senhor, da Assunção de Nossa Senhora ao céu.

 A vocação matrimonial é básica. O matrimônio santifica o casamento entre homem e mulher, co-criadores, com Deus, da espécie humana. É o sacramento constitutivo da família, célula-mãe da sociedade, igreja doméstica, centro de comunhão e participação entre o povo de Deus. Institui-se no Brasil a Semana da Família, celebrada entre o 2º e o 3º domingo de agosto. Vida, dignidade e esperança devem caracterizar esta Semana, na qual oramos para que, em todos os lares, pais, filhos, avós, se amem, se respeitem, crescendo na fé e na vida em comunidade.

A vocação religiosa constitui um estado de vida em que mulheres e homens se consagram a Deus e à Igreja pelos votos de pobreza, obediência e castidade. A vida religiosa manifesta na Igreja o maravilhoso matrimônio estabelecido por Deus, sinal do mundo vindouro (Cânon 607).

O testemunho público de Cristo e da Igreja, a ser dado pelos religiosos, implica em presença especial no mundo, que é próprio da índole e finalidade de cada instituto. Os Institutos Religiosos ou Seculares devem ser fortalecidos, como forças de vanguarda na evangelização da Igreja.

A vocação sacerdotal é vivida por diáconos, presbíteros e bispos, membros do clero da Igreja. É importante rezar e trabalhar pelas vocações sacerdotais. Sem o clero a Igreja não funcionaria, deixaria até de existir, o que é impensável, pois Cristo deu à Igreja a sua palavra, a garantia de perpetuidade. “A minha palavra jamais passará”. A Igreja necessita de boas e numerosas vocações sacerdotais e religiosas, que têm sua origem em Deus e em vocações matrimoniais imbuídas de espírito profundamente cristão. Agosto é também o mês das vocações para os ministérios e serviços da comunidade, como catequistas e ministros (as) da comunhão eucarística, etc.

Dom Urbano Allgayer
Bispo emérito de Passo Fundo - RS

Fonte: http://www.cnbb.org.br/artigos-dos-bispos-1/418-dom-urbano-allgayer/14657-agosto-mes-vocacional